sábado, agosto 31, 2013



EDUARDO AUGUSTO LOURENÇO
eduardoalourenco@hotmail.com
Americana, São Paulo (Brasil)
 
A inveja que mata

“Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis.” (Tiago 4:1-2).
A inveja é um sentimento que leva ao invejoso a idéia de que o bem alheio é considerado um mal próprio. A inveja provém de olharmos o bem do outro e ver que não possuímos, formando um sentimento de inferioridade, incapacidade, deixando-nos menores perante o sucesso alheio.
O coração que se contamina com a inveja vai se tornando amargo, inconformado, revoltado com o que não possui, o que leva à frustração, travando uma competição paranóica com o outro, a ponto de chegar a odiar e até desejar o mal ao invejado. O ser invejoso não se convence da própria mazela, a satisfação dele é ver o outro triste, aniquilado, arrasado e amargurado com as derrotas. Infelizmente, este estado de consciência leva o indivíduo à depressão, ao desânimo, a perder o sentido da vida, que passa a ser vista somente pelo ângulo daquilo que não se tem, de modo que o invejoso é um eterno descontente com tudo e com todos.
A inveja tem por características o desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa. Não é necessariamente associada a um objeto: sua característica mais típica é a comparação desfavorável do status de uma pessoa em relação à outra.
O ser em posse da inveja vive desconfiado, como se estivesse numa espécie de estimulante ou droga que penetra a consciência, mesmo que venhamos a imitar o desenvolvimento ou a capacidade do outro, porque achamos positivo, caímos na essência da mesma que é a comparação, e a cada ato de comparação nos afastamos ou aniquilamos a nossa própria realidade, destruindo tudo aquilo que tínhamos formado a nosso respeito.
A inveja é como uma árvore que tem raízes e frutos. A raiz da inveja é a vanglória, e seus frutos são a maledicência, que consiste em falar mal dos outros e difamar a vida alheia, e a insatisfação constante, pois o invejoso acha que a felicidade está sempre “na casa do vizinho” e é, assim, incapaz de se satisfazer com aquilo que tem.
Conforme São Tomás de Aquino, a inveja tem a sua raiz no orgulho. A vanglória é o desejo de se destacar em função do brilho e não do bem em si mesmo, do sucesso ou o bem alcançado, de modo que o sucesso passa a ser a meta de vida, a ponto de se fazer qualquer coisa para alcançá-lo. Não que o sucesso seja ruim, ele é bom, mas não se pode viver em função dele, ou seja, nossa felicidade não está em função do sucesso ou dos bens e, sim, em função de nossa comunhão com Deus.
O grande Santo Agostinho dizia que “a inveja é o pecado diabólico por excelência”. E se referia a ela como “o caruncho da alma, que tudo rói e reduz a pó”. A inveja é amiga daquele que não suporta a felicidade dos outros, e que não se conforma em ver alguém realizado, melhor do que ele mesmo. Fica torcendo pelo mal do outro e, quando este fracassa, diz no seu interior: “bem feito!”.
Vemos acontecimentos que ocorrem na humanidade sobre a inveja, a história dos irmãos Caim e Abel, no qual Caim matou o seu irmão Abel por inveja (Cf. Gen. 4). Também por causa da inveja os filhos do  patriarca Jacó venderam o seu filho caçula, José, para os mercadores do Egito. Também por causa da inveja, vimos o rei Saul odiar a Davi e caçá-lo como se fosse um animal a ser morto. (Cf. 1Sm 18,8;19,1.)
As escrituras sagradas nos relatam, por causa da inveja, a morte de Jesus. O evangelista São Mateus deixa claro: “Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: “Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo?” Ele sabia que tinham entregado Jesus por inveja” (Mateus 27, 18).
Santo Agostinho fala sobre a gravidade da inveja: “Terrível mal da alma, vírus da mente e fulminante corrosivo do coração, é invejar os dons de Deus que o irmão possui, sentir-se desafortunado por causa da fortuna dos outros, atormentar-se com o êxito dos demais, cometer um crime no segredo do coração, entregando o espírito e os sentidos  à tortura da ansiedade; destroçar-se com a própria fúria!”
O apóstolo Paulo de Tarso, em sua carta a Tito, dizia: “Porque também nós outrora éramos insensatos, rebeldes, vivendo na malícia e na inveja”. Essa embriaguez da inveja consiste justamente na incapacidade de perceber que este sentimento nos leva a uma vida infeliz, solitária e amarga, por mais que tenhamos nunca teremos tudo, ou seja, sempre haverá algo a que invejar.
O psicólogo Alfred Adler diz que “A mais grave contradição é que a pessoa que mais sente a inveja é justamente aquele tipo de personalidade que mais poderia desfrutar o prazer ou sucesso pessoal, deslocando sua fonte de satisfação e crescimento para o inferno de ter de observar ou medir o que o outro obteve primeiro. Neste ponto podemos afirmar que o amor sempre invejou qualquer tipo de vício, pois este último possui uma capacidade de impregnação na alma humana além de qualquer outro sentimento positivo. É só refletirmos para o problema das drogas ou da violência, que não demoraremos a perceber a veracidade de tal conceito. Há muito que não sabemos o que fazer com nosso lado íntimo e pessoal, sendo inevitáveis os desastres na história de nossa afetividade. Podemos até ser treinados para a convivência de determinada limitação causada por doença física; mas as sequelas psicológicas de infelicidades passadas são tabus na compreensão total sobre o que nos tornamos após todas as experiências vividas”.
Segundo o psiquiatra suíço, Carl Gustav Jung (1875-1961), todas as faces escuras, ameaçadoras e indesejáveis da personalidade são chamadas de sombra: “Reconhecer e aceitar seu lado sombrio é o primeiro passo para ter equilíbrio emocional e melhorar a qualidade de todas as relações. A sombra faz parte de nosso inconsciente e, se não for encarada, dominará todas as ações, nos rouba a tranquilidade para aceitar os ciclos da vida, nos tira a beleza, o ânimo e, o pior de tudo, a capacidade de amar, que é justamente o mais iluminado dos sentimentos”.
Sigmund Freud diz que “A inveja jamais nos dará trégua ou férias acerca de uma autoestima precária que conquistamos; sendo uma “espada dilacerante” que corta nossa alma quando lembramos dos grandes desejos irrealizados, mas que nosso “vizinho” talvez os tenha obtido. Temos um vício quase que perpétuo de achar que o fracasso apenas é reservado para nossa pessoa. Isto se agrava pela hipocrisia social e pelo fato das pessoas a cada dia estarem mais treinadas na arte da dissimulação ou disfarce de sua real condição”.
Ninguém no mundo filosófico analisou sobre a inveja melhor do que o filósofo Nietzsche, colocando a inveja como categoria descritiva. Quando ele comenta sobre o “fraco”, “escravo” ou “doente”, antes de estes indivíduos serem só ressentidos, são invejosos, corroídos com um tacão no peito, que o sangra dia após noite: a inveja.
Ele dizia que o invejoso não aparece. Ele se esconde, é sorrateiro, resguardado pelo seu nome que é uma capa, pois ninguém sabe quem é ele. O nome de alguém que nada fez é um nome que vale como uma máscara de ladrão. Pode usar o nome, mas o nome não diz nada. É assim que o invejoso, o “fraco” de Nietzsche, age rotineiramente: ele é como o inseto, também um exemplo nietzschiano, que muda de cor para se parecer com a paisagem. A covardia e a inveja são irmãs.
Uma equipe de cientistas japoneses conseguiu identificar a região do cérebro que controla o sentimento de inveja. A descoberta poderá ajudar os profissionais da área de saúde a lidar melhor com pessoas que sofrem do problema.
“A inveja pode levar uma pessoa a praticar um ato destrutivo e até criminoso, para conseguir o que deseja”, disse Hidehiko Takahashi, 37 anos, pesquisador-chefe do Departamento de Neuroimagem Molecular do Instituto Nacional de Ciência Radiológica. A pesquisa, que durou um ano e meio, estudou o comportamento de 19 pessoas em boas condições de saúde. Durante os experimentos, eles tiveram os cérebros monitorados por aparelhos de ressonância magnética.
Explicou Takahashi: “Antes de monitorarmos as atividades cerebrais, pedíamos aos participantes para se imaginarem integralmente nas situações descritas, como se fossem reais e estivessem acontecendo com eles”. Disse Takahashi que as pessoas eram induzidas a imaginar um cenário que envolvia outras três personagens, duas delas seriam hipoteticamente mais capazes e inteligentes do que os voluntários da pesquisa. Quando os voluntários sentiam inveja, a parte do córtex dorsal anterior do cérebro era ativada. “Pessoas muito invejosas tendem a ter uma grande atividade nessa região do cérebro, que é responsável pela dor física e também é associada à dor mental”, contou o pesquisador.
Segundo os especialistas, isto indica que as pessoas invejosas sentem mais prazer com a desgraça alheia. O resultado da pesquisa foi publicado na última edição do American Journal of Science.
Por isso, diz o iluminado Buda: Se julgarmos os outros, isso cria em nós emoções negativas como a cólera, o ódio, a inveja, e isso entrava nossa saúde física e psíquica. A agitação mental causada por nossos julgamentos pode mesmo nos fazer perder o sono e nos fazer viver, sem cessar, sob tensão. Respeitar os outros como eles são é o que existe de mais salutar para nosso corpo e para nosso espírito. É a própria essência do Mahayana: “Considero todos os seres vivos mais preciosos que as mais preciosas pérolas. Possa eu por todo o tempo cuidar deles, e isso me levará ao objetivo”.


sexta-feira, agosto 30, 2013

Deu no AC24HORAS

Edvaldo Souza pede instalação de agências bancárias em Porto Acre

30 de agosto de 2013 - 2:27:55
O deputado Edvaldo Souza (PSDC) fez pronunciamento nesta quinta-feira, 29, pedindo para que os bancos oficiais brasileiros, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, instalem uma agência no município de Porto Acre. Ele considera incrível que funcionários públicos e trabalhadores da iniciativa privada, agricultores e fazendeiros não possuam um estabelecimento onde movimentar suas economias. “Os bancos públicos precisam olhar com atenção para este problema, pois o Banco do Brasil, por exemplo, registra bilhões de superávit anualmente”, observou.
Edvaldo também aproveitou para comunicar que na próxima segunda-feira, 2 de setembro, a secretária de Saúde, Suely Mello, vai se reunir com médicos acreanos formados na Bolívia e no Peru para esclarecer de que forma eles poderão ser incorporados ao programa Mais Saúde do Governo Federal. Edvaldo contou que em reunião com os deputados da base aliada, o governador anunciou que há possibilidade de contratação de 300 profissionais médicos acreanos.
Para finalizar, Edvaldo chamou a atenção de seus colegas deputados para a necessidade de limitar a presença de assessores no Salão Azul. Segundo ele, o Regimento Interno permite apenas um assessor por deputado e devidamente identificado através de crachá. No seu entendimento, a presença de muitos assessores, sem identificação, reduz a privacidade dos parlamentares. “Conversas reservadas podem ser ouvidas por alguém não credenciado e virar um fuxico fora de nosso controle. Portanto, vamos nos esforçar para cumprir o Regimento Interno”, recomendou.

quinta-feira, agosto 29, 2013


         

Senado aprova projeto que classifica violência doméstica como tortura

GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

O Senado aprovou nesta quinta-feira quatro projetos que beneficiam as mulheres vítimas de violência, cumprindo promessa feita à presidente Dilma Rousseff no começo desta semana. Entre as propostas, está a que classifica a violência doméstica como crime de tortura. Todas seguem para votação na Câmara.
O projeto inclui na chamada "lei da tortura" a submissão de alguém a situação de violência doméstica e familiar, com emprego de violência ou grave ameaça, assim como intenso sofrimento físico ou mental.
Outro projeto aprovado pelos senadores institui auxílio previdenciário transitório para mulheres que corram "risco social" provocado por situações de violência doméstica e familiar.
Também foi aprovado projeto que fixa o prazo de 24 horas para que o juiz e o Ministério Público analisem o pedido de prisão preventiva de agressores. O prazo passa a contar depois deles serem formalmente comunicados sobre a ida da mulher agredida para um abrigo.
Os senadores ainda aprovaram projeto que insere nas diretrizes do SUS (Sistema Único de Saúde) a organização de serviços especializados no atendimento a mulheres e vítimas de violência doméstica em geral --como atendimento psicológico e cirurgias reparadoras.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), impôs uma tramitação rápida aos projetos para viabilizar a sua aprovação. Nenhum deles passou pelas comissões permanentes da Casa, como previsto pelas regras da instituição. Os quatro projetos aprovados no plenário foram sugeridos no relatório final da CPI da Violência contra a Mulher.
Durante a visita de Dilma ao Congresso na terça-feira, em que recebeu o relatório final da CPI, o presidente do Senado prometeu aprovar as matérias ainda esta semana. Apesar de acelerar sua tramitação, três propostas vão retornar à análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para melhor discussão.
Um dos projetos que vai à comissão é o que define os crimes de "feminicídio", aqueles que resultarem na morte de mulheres --desde que cometidos por um agressor que mantém relação íntima com a vítima ou quando houver violência sexual, mutilação ou desfiguração da mulher assassinada

Deu no site AGAZETA.NET

Conversão de multa em advertência anunciada pelo Detran já existia desde o ano passado 

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A polêmica sobre o funcionamento dos radares eletrônicos e o alto número de multas emitidas contra os motoristas da capital ganhou força no início deste mês, quando a Assembleia Legislativa entrou na briga contra o que os deputados de oposição chamaram de ´indústria da multa’.
Mas foi o deputado governista Edvaldo Souza (PSDC) quem solicitou ao Detran um relatório sobre o funcionamento dos radares, que ainda não foi enviado. O deputado Walter Prado(PEN), também da base do governo, anunciou que iria convidar a diretora do Detran para vir à Assembleia prestar esclarecimento.
Nesta quarta-feira, 28, ele recuou, dizendo que o órgão já se mostrou sensível ao problema. “Acho desnecessário a presença dela, porque já está tomando as medidas que o governador determinou”, declarou Prado.
Esta semana, o Detran anunciou como novidade a possibilidade das multas oriundas das infrações graves ou médias serem convertidas em advertência, a pedido do condutor multado. Mas o órgão apenas deu publicidade a um direito que já era facultado aos motoristas desde o ano passado.
Em junho do ano passado, o Denatran publicou uma resolução permitindo ao condutores a converter multas de infrações leves ou médias em advertência. Mas para deixar de pagar a multa o condutor não pode ter cometido nenhuma outra infração de trânsito nos últimos 12 meses. Ainda segundo a resolução, ficou a critério de cada estado regulamentar a medida.
A reclamação de muitos condutores contra os radares eletrônicos é justamente contra o excesso de multas individuais. Há casos em que um mesmo motorista foi multado 16 vezes por um mesmo equipamento.  E nesse caso converter apenas uma das multas em advertência não é grande coisa. Para alguns deputados a briga não terminou.
“É outra discussão que vai ser levantada a posteriori como isso vai ser equacionado e como vai ser resolvido”, afirma o deputado Edvaldo Sousa(PSDC).

Reinaldo  Guimarães
O programa “Mais Médicos” está focado na necessidade de colocar médicos onde não há médicos e onde médicos não querem ir. O “Mais Médicos” não está interessado em atender as expectativas da corporação e, principalmente, de seus representantes sindicais.
Mais Médicos
"Após a frustração da chamada de médicos brasileiros, o programa abriu uma chamada internacional que, apesar de ter atraído médicos de vários países, não logrou ainda atingir as metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde."
O “Mais Médicos” não está fazendo competição com o mercado de trabalho dos médicos brasileiros. Antes de importar médicos, houve uma chamada para médicos brasileiros que, lamentavelmente, não prosperou. Em parte, devido a uma feroz campanha contra o programa liderada pelos líderes corporativos sindicais e de vários Conselhos Regionais de Medicina.
Após a frustração da chamada de médicos brasileiros, o programa abriu uma chamada internacional que, apesar de ter atraído médicos de vários países, não logrou ainda atingir as metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Foi então que, com a interveniência da Organização Panamericana da Saúde, foi assinado o convênio com Cuba.
Ataques
Se a campanha contra o programa já era feroz, a partir daí os sindicalistas médicos entraram numa escalada de insanidades que atingiu o seu ápice com as declarações do presidente do CRM de Minas Gerais. Disse ele que, caso tenha notícia de algum médico em exercício com diploma obtido no exterior e sem revalidação, acionará o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal para impedí-lo. Fora de si (imagino eu), disse que orientará os médicos mineiros a não cooperarem com os “sem Revalida” cubanos, caso haja algum pedido de ajuda técnica por parte desses. No meu ponto de vista, caso essa afirmativa de seu presidente seja confirmada, o CRM de Minas está sob suspeição para julgar quaisquer transgressões éticas vindouras, posto que o seu presidente está a instruir os médicos mineiros a discriminar colegas, infringindo o Código de Ética Médica. Este, em seu capítulo I (princípios fundamentais), reza que “A Medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e será exercida sem discriminação de nenhuma natureza” (grifo meu).
Revalida
Os representantes corporativos esbravejam: sem o Revalida, não dá! Digo eu: se a banca examinadora não quiser, o Dr. Pitanguy ou Dr. Jatene não serão aprovados num exame para revalidação de diploma. Não é a toa que apenas 10% dos que tentaram revalidar seus diplomas obtidos no exterior, desde a instituição do teste, conseguiram a revalidação. Com o estado de espírito que a maioria dos meus colegas têm apresentado com relação ao “Mais Médicos”, seria uma carnificina.
No dia 23 de agosto, um artigo na Folha de São Paulo dizia que médicos são produzidos em série em Cuba, para exportação. O tom era discretamente derrisório. É verdade, médicos
"Cuba produz médicos “em série”, também porque, graças ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos e, mais tarde, com o colapso soviético, necessita, para subsistir, de divisas."
são produzidos em série e esta é, há décadas, a principal ferramenta para a projeção internacional de Cuba. Qual o problema? Há quem exporte soldados e armas e guerras, há quem exporte cocaína e por aí vai. Cuba exporta médicos. Nesse caso, trata-se do que, em diplomacia, se chama soft power. Tão legítimo quanto, por exemplo, a exportação de programas de ajuda realizada há décadas pela agência estatal de cooperação norte-americana USAID.
Produção
Cuba produz médicos “em série”, também porque, graças ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos e, mais tarde, com o colapso soviético, necessita, para subsistir, de divisas. O exercício do soft power médico contribui também para que entrem divisas em Cuba. Pessoalmente, não me sinto confortável em apoiar que a remuneração de um profissional seja, em parte, apropriada pelo Estado. Mas o meu desconforto diminui quando me dou conta de quase 40% dos meus rendimentos são religiosamente apropriados pelo Estado brasileiro na forma de impostos variados. Parte desses, na fonte, como é o caso dos médicos cubanos que um colunista hidrófobo da revista Veja denominou de “escravos do Partido Comunista cubano”.
Qualidade
Outro comentário lido sobre os médicos cubanos, “produzidos em série”, é que eles não prestam. Sua formação é precária e eivada de ideologia. Não é o que a opinião internacional informada sustenta (tomei como tal o American Journal of Public Health, o Lancet e uma carta publicada em Science) (1)(2)(3). A conclusão do artigo de Cooper et. al. sobre a prevenção e controle das doenças cardiovasculares em Cuba vale a pena ser transcrita: “Onde a estrutura social e política das sociedades pode ser afetada por mudanças rápidas e dramáticas, tais normas culturais como alimentos, música e religião são, por vezes, mais resistentes. O objetivo de revoluções socialistas em países subdesenvolvidos pobres tem acontecido em primeiro lugar para acompanhar as economias industriais do mundo. Na saúde pública, isso significa quase que exclusivamente a eliminação de doenças infecciosas e a garantia de baixas taxas de mortalidade na infância. Cuba permanece como o principal exemplo do sucesso inigualável do projeto socialista em alcançar esse objetivo. Dentro dessa tradição, no entanto, a necessidade de intervir de forma agressiva contra padrões culturais arraigadas, particularmente aqueles relacionados ao consumo, era algo de uma ideia estrangeira. Um repensar fundamental desta estratégia será obrigatório para se tirar o máximo proveito dos novos conhecimentos em ciência de prevenção que poderiam agora fazer uma contribuição importante para o futuro da saúde do povo cubano. As melhorias na qualidade e na duração da vida em Cuba ao longo dos últimos 50 anos têm sido surpreendentes e definem o padrão para os países pobres ao redor do mundo. Estas conquistas, por exemplo, a eliminação da poliomielite em 1962, duas décadas à frente dos Estados Unidos, são a prova dos objetivos notáveis que Cuba é capaz de alcançar. Liderança semelhante na prevenção de doenças cardiovasculares poderia fazer contribuições extremamente valiosas para a campanha mundial para controlar o que já se tornou a epidemia mais grave já enfrentada pela humanidade. A experiência cubana demonstra, portanto, que o controle de doenças cardiovasculares em países não industrializados é absolutamente impossível, e destaca a importância fundamental das estratégias de prevenção baseadas na população".
Objetivo
"Mas os médicos cubanos não estão entre nós como 'procedimentólogos', mas como profissionais no campo da atenção primária (promoção, prevenção e cuidados básicos de saúde)."
Acredito que os médicos cubanos talvez não sejam peritos em “procedimentos” de última geração - nem os realmente úteis, nem os inúteis ou francamente prejudiciais. Entretanto, desconfio que a maior parte dos médicos brasileiros também não seja, embora atualmente talvez almejem sê-lo. Mas os médicos cubanos não estão entre nós como “procedimentólogos”, mas como profissionais no campo da atenção primária (promoção, prevenção e cuidados básicos de saúde). E, nesse terreno, creio que eles têm muito a nos ensinar. Aliás, de acordo com o presidente Barack Obama, têm a ensinar também aos médicos norte-americanos (U.S. President Barack Obama has acknowledged that the United States could learn from Cuba's medical foreign aid program).
A fonte de uma das maiores frustrações (e de aprendizado) dos especialistas brasileiros no terreno da educação e do trabalho em saúde foi a evidência de que reformas curriculares não mudam o mercado de trabalho e que o caminho de ajustar a formação médica às necessidades da saúde é o inverso. É a mudança do mercado que será capaz de ajustar os currículos. Se tomarmos a atual conformação do mercado médico brasileiro, com a deterioração paulatina e consentida do SUS e a expansão selvagem do sistema suplementar, concluiremos que a formação médica entre nós decididamente não vai ao encontro das necessidades da saúde, muito pelo contrário. Não foi por outra razão que os médicos brasileiros não atenderam ao chamado do “Mais Médicos”. A campanha dos líderes corporativos contra o programa, nesse sentido, interpreta corretamente os desejos da maioria dos nossos médicos, em particular os mais jovens.
Esta é a razão da convocação dos médicos estrangeiros e, em particular, dos cubanos que, pelas razões que expressei no início desse texto, parecem estar dispostos a enfrentar os desafios médico-sanitários do Brasil profundo. Pode vir a ser um bom exemplo ao mercado.
Pesquisas
Em 1997, uma equipe liderada por Maria Helena Machado concluiu e publicou uma pesquisa sobre os médicos brasileiros. O panorama que nela se vislumbra permanece atual, a despeito de terem se passado 16 anos. A rigor, as tintas com que Machado e sua equipe descrevem a categoria médica brasileira de então devem ser hoje bastante mais carregadas. Uma cópia do livro pode ser encontrada emhttp://static.scielo.org/scielobooks/bm9qp/pdf/machado-9788575412695.pdf. A leitura desse clássico me parece indispensável para compreender os dilemas dos médicos e seus representantes corporativos frente ao “Mais Médicos”.
Julie Feinsilver é uma socióloga atualmente na American University. Esteve no Brasil como consultora da presidência da Fiocruz em 1996. Nos últimos 20 anos vem estudando a diplomacia médica cubana. Em 2010, publicou um artigo na revista Cuban Studies (4) que fornece uma visão abrangente sobre a ação de Cuba nesse terreno durante os primeiros 50 anos da revolução cubana. O centro de sua argumentação se localiza no balanço entre a solidariedade e o pragmatismo como vetores da atuação internacional de Cuba no campo da saúde. Creio ser uma leitura essencial para compreender esse tema e uma cópia de seu trabalho pode ser encontrada aqui .
Referências:
1 Manuel Franco, Richard Cooper, Pedro Orduñez - Making Sure Public Health Policies Work. SCIENCE, Vol 311 www.sciencemag.org. 24 February 2006, p. 1098 (letters).
2 R. S. Cooper, P. Orduñez, M. D. I. Ferrer, J. L. B. Munoz, A., Espinosa-Brito - Cardiovascular Disease and Associated Risk Factors in Cuba: Prospects for Prevention and Control.http://ajph.aphapublications.org/doi/abs/10.2105/AJPH.2004.051417, Am. J. Public Health 96, 94 (2006).
3 Wakai S. - Mobilization of Cuban doctors in developing countries. Lancet 2002: 360;92
4 Julie M. Feinsilver -Fifty Years of Cuba's Medical Diplomacy: From Idealism to Pragmatism. Cuban Studies, Volume 41, 2010, pp. 85-104


 Reinaldo Guimarães é médico sanitarista e foi secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (2007 - 2010),vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Fundação Oswaldo Cruz (2005-2006) e diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (2003 - 2005).

quarta-feira, agosto 28, 2013

            Partidos nanicos farão parte do chapão do PT

Em reunião realizada na tarde desta quarta-feira o governador Tião Viana garantiu aos deputados pertencentes as chamadas legendas pequenas que dará guarida a todos no chapão que será formado pelo Partido dos Trabalhadores.

“Todos serão tratados como aliados e isso é uma forma de dizer que estou satisfeito com o apoio que estou tendo de nossa base na Assembleia legislativa”, afirmou o governador durante o encontro.

Para o governador os aliados devem ser tratados como aliados e mecanismos políticos devem ser buscados para ninguém fique prejudicado na busca pela reeleição.

O caso de alguns deputados que argumentam não ter votos para compor o chapão deverá ser tratado de forma diferenciada sempre se pautando pelo entendimento.

Na próxima segunda-feira uma nova reunião acontecerá com os deputados que compõem a base de apoio do governo. Nessa reunião um diagnóstico completo da situação atual será apresentado.

A questão dos secretários que postulam suas candidaturas também foi tratada na reunião. Alguns deputados reclamaram das vantagens de quem ocupa o cargo de secretário e faz da sua pasta um instrumento para angariar votos.

Tião Viana tranqüilizou a todos quanto a isso e garantiu que o tratamento será igualitário.

(Assessoria)

(

Deu no AC24Horas

Deputados aprovam requerimento de Edvaldo Souza que pede esclarecimentos sobre instalação de radares

28 de agosto de 2013 - 2:48:45
Ray Melo, da redação de ac24horas

O requerimento do deputado Edvaldo Souza (PSDC), pede informações sobre o funcionamento internamente do sistema de arrecadação dos radares instalados em Rio Branco, para saber o valor do contrato com a empresa com o Detran, qual o valor de cada equipamento, quais os valores arrecadados com multas e qual a arrecadação de 2012 a 2013, foi aprovado na tarde desta quarta-feira (28), por unanimidade na Assembleia Legislativa.
A partir das informações, Edvaldo Souza quer fazer o cruzamento destes dados e saber para onde está indo o dinheiro e quanto o Detran faturou no ano passado e este ano com as multas. “Enquanto tem agentes de trânsito em todos os lugares aplicando multas, nós não encontramos um único policial para proteger nossa família”, afirma o parlamentar.
Segundo os parlamentares de oposição, os governistas teriam aprovado a iniciativa de Edvaldo Souza, porque os gestores apresentariam apenas os dados divulgados no Diário Oficial, mas se negam a estender o debate à população numa audiência pública que debateria a indústria de multas, que de acordo com eles estaria sendo usada como caixa de campanha eleitoral.

Deu no Jornal A Gazeta

Edvaldo Souza apresenta projeto que obriga empresas de ônibus a devolver o troco de usuários

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edvaldotroco
 O deputado Edvaldo Souza (PSDC) apresentou um Projeto de Lei que visa a criação do ‘vale troco’, no Sistema de Transporte Coletivo Urbano e Intermunicipal. De acordo com a matéria, caso as empresas não coloquem à disposição dos usuários os vales trocos, eles estão dispensados de pagar a passagem.
“Este projeto disciplina e corrige uma violação dos direitos do consumidor. É o cumprimento do Código de Defesa do Consumidor, nada mais do que isso. Se a empresa não tem o troco, vai ter de disponibilizar o vale troco”, disse o parlamentar.
 Edvaldo Souza disse, ainda, que R$ 0,10 fazem a diferença ao curso de 30 dias mensais. “Rico não anda de ônibus. Então, R$ 0,10 no bolso de uma família pobre faz diferença sim. São pelos menos R$ 0,20 todos os dias, levando-se em consideração que o trabalhador utilize o ônibus para ir e voltar do seu trabalho”.
 As empresas que descumprirem a medida, se aprovada, poderão ser multadas em um valor que pode variar de R$ 300 a R$ 1.000. O parlamentar cita, em sua justificativa, que mesmo havendo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre as empresas e os órgãos de fiscalização, ainda não é garantido aos usuários o troco.
Segundo dados, o lucro indevido e indireto da soma dos valores de trocos, por veículo, pode chegar a R$ 20,00 por dia, sendo incalculável em relação ao tempo em que as empresas operam em plena discordância com as normas legais.
 Edvaldo pediu apoio dos pares para a aprovação da matéria e disse que sua assessoria jurídica consultou todos os pontos para que a PL tenha a mais rápida aprovação e efetiva validaçã

terça-feira, agosto 27, 2013

Deu no site AGAZETA.NET


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O deputado estadual Edvaldo Souza, PSDC, apresentou nesta terça-feira, 27, na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Projeto de Lei que obrigas as empresas concessionárias do transporte coletivo a darem o troco de passagens aos usuários.
O projeto do parlamentar também cria regras para o bilhete único e vale-transporte, regras essas que beneficiam a população.
‘’É inadmissível que  direitos básicos dos cidadãos sejam violados todos os dias sem que nenhuma  providência seja tomada. O troco é obrigatório e na falta dele se estabelece a figura do vale-troco”, disse o deputado.
Edvaldo Souza voltou a afirmar que seu compromisso é com a comunidade e defender acima de tudo que as leis sejam cumpridas.
Última atualização em Ter, 27 de Agosto de 2013 11:53