quarta-feira, novembro 26, 2014

Nova enchente do rio Madeira deverá ser mais devastadora, aponta estudos 


Foram oito meses de estudos conduzidos pelo engenheiro civil e de segurança do trabalho Jorge Luiz da Silva Alves. ‘‘Com a entrega do relatório, a gente espera que sejam tomadas as providências necessárias que constam nas mitigações e compensações’’, afirma. Entre as medidas está a proteção da orla do rio Madeira com a construção de um muro de contenção, desde o bairro Triângulo até o Baixa União.
Também constam no estudo que sejam tomadas medidas concedidas através de lei como a isenção do pagamento de energia para as famílias e empresas atingidas pela construção das hidrelétricas, considerando as limitações do uso de energia. Assim como a isenção de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
madeira
Cheia do Madeira desabrigou milhares de famílias e isolou o Acre ano passado

Barragens
O relatório ainda aponta a necessidade de rever a maneira como os estudos para construção de barragens são realizados. ‘‘A construção de barragens nos rios da Amazônia tem que levar em consideração toda a bacia hidrográfica amazônica, o que não foi feito anteriormente’’, considera o engenheiro civil.
Ele disse ainda que o estudo aponta que o município, Estado e União tinham conhecimento e não tomaram providências para eliminar o gerador do impacto no rio Madeira. ‘‘Foram oito eventos que favoreceram a ocorrência da enchente’’.
Entre outros fatores, o relatório aponta as barragens como principal causadora da cheia histórica do rio Madeira. ‘‘A usina segurou a água para colocar as turbinas para funcionar e aumentou a cota do reservatório, essa foi a principal causa’’, considera.
O relatório tem 258 páginas e traz uma análise sobre as contradições dos estudos para construção das duas hidrelétricas no rio Madeira. ‘‘O trabalho consistiu em analisar documentações, nas quais constatamos várias inconsistências, inclusive desde a época da celebração do Termo de Referência [que serve de base para os estudos ambientais]’’, disse o engenheiro.
E acrescenta: ‘‘ Como foi executado, não levaram em consideração a construção das barragens de acordo com a atuação do rio Madeira em relação ao rio Amazonas’’. O estudo analisou efeitos da jusante da usina mais próxima da capital para baixo, a parte da montante ainda não foi analisada. E verificou que os sedimentos são transportados de uma usina para outra.
‘‘Esse sedimento fica depositado ao longo do rio Madeira até a foz do rio Amazonas. E com isso, todo esse material pesado inunda e dificulta a drenagem’’, aponta o engenheiro. Aliado a isso, também precipitou a cheia histórica do rio Madeira a velocidade da descida das águas, segundo o engenheiro.
Nova enchente
‘‘O relatório aponta que é possível uma nova cheia, e que pode ser pior que a que tivemos. Essa aconteceu porque a vazão de água foi maior, o assoreamento estava muito alto e as chuvas também favoreceram. Na próxima, não terá para onde a água correr. Se não houver drenagem, a água volta’’, avalia o engenheiro civil.
O engenheiro teme que o assoreamento prejudique a pesca e o transporte no rio Madeira. ‘‘ Se todo esse assoreamento continuar você não tem mais a pesca. Não vai poder mais transportar a produção agrícola’’, avalia. Para o engenheiro civil, o rio Madeira corre o risco de ficar semelhante ao rio Parnaíba, em Teresina (PI), visitado recentemente. Ele aponta a necessidade de uma dragagem (remoção de sedimentos) urgente no rio Madeira.
‘‘No rio Parnaíba foram feitas barragens. A mais próxima da cidade fica a 350 km. Vimos que ele está todo assoreado e conversando com alguns pescadores, eles informaram que antes o rio era bonito, tinha 8 metros de profundidade e agora tem somente quatro metros. Está cheio de ilhas, resultado de assoreamento, e é para essa situação que Rondônia caminha’’, aponta o engenheiro.
Além dos engenheiros de Rondônia, a elaboração do relatório teve a contribuição de especialistas de outros estados como Recife, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.
Providências
O relatório ‘‘A verdade sobre as enchentes do rio Madeira” foi entregue ao Ministério Público Estadual e Federal, em Rondônia. Segundo assessoria do MP/RO, o documento foi protocolado e deve ser encaminhado à Promotoria do Meio Ambiente.

Fonte: Mais Rondônia


segunda-feira, novembro 24, 2014


Semana começa tensa com vazamento dos novos ministros pelo PlanaltoVazamento, pelo Planalto, dos nomes dos novos ministros leva a presidente a agradar mercados, no caso de Joaquim Levy, e a ser criticada por PT e MST por causa de Kátia Abreu na Agricultura

Paulo de Tarso Lyra - Correio Braziliense
Publicação: 24/11/2014 06:25 Atualização: 24/11/2014 09:22

Dilma e Kátia: além de desagradar aliados do PT e do MST, senadora não é vista como indicação do PMDB (Antonio Cruz/ABr - 28/6/12)
Dilma e Kátia: além de desagradar aliados do PT e do MST, senadora não é vista como indicação do PMDB


Apresentados em conversas reservadas como os escolhidos para compor o governo no segundo mandato, os futuros ministros da Agricultura, Kátia Abreu, e da Fazenda, Joaquim Levy, aproximam uns e afastam outros. Desde a última sexta-feira, quando o Planalto decidiu vazar os nomes como fechados pela presidente Dilma Rousseff, os mercados se acalmaram, o agronegócio, idem. Mas, se o nome de Levy foi visto com certa dose de decepção pelos economistas do PT, o de Kátia Abreu fez estrilar o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Para completar, na seara política o nome de Kátia desagradou, em especial, a bancada do PMDB, que planejava manter a Agricultura sob seu comando.

O MST foi além das simples reclamações. No último sábado, o Movimento ocupou uma fazenda de milho no Rio Grande do Sul como forma de protesto contra a senadora, e ainda divulgou um texto “Bem-vinda Kátia Abreu”, anunciando novas invasões.

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Essas reações terminaram ampliadas porque a presidente adiou o anúncio oficial, passando a muitos a ideia de que só aumentou, ao longo dos últimos anos, aquilo que os aliados esperam ser uma página virada: a dificuldade de a presidente Dilma Rousseff em tomar decisões sem infinitas idas e vindas nas negociações.

Há uma semana, quando a presidente desembarcou em Brasília vinda da reunião do G20, na Austrália, a expectativa no Palácio do Planalto era a de que a equipe econômica seria escolhida e anunciada até a última sexta-feira. Porém, a presidente, comentaram assessores, preferiu adiar o anúncio dos novos ministros para poder entregar o “pacote fechado”. A justificativa teria sido a de que Dilma desejava colocar no bolo os presidentes dos bancos públicos, além do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini; e dos ministros da Fazenda, Joaquim Levy; do Planejamento, Nelson Barbosa; e do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto. Não se esperava, mas acabou entrando nesse conjunto o Ministério da Agricultura.

Tanto Kátia Abreu, do PMDB, quanto Armando Monteiro Neto, do PTB, são citados em seus respectivos partidos como ministros da cota pessoal de Dilma. A primeira, pelo que fez na campanha, defendendo Dilma dos ataques dos ruralistas; o segundo, pelo diálogo com o empresariado — apesar de a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e das Indústrias do Rio (Firjan) não apoiarem a Confederação Nacional da Indústria (CNI), quando presidida por Monteiro durante os oito anos do governo Lula.

sábado, novembro 15, 2014

quarta-feira, novembro 12, 2014

Casou-se na cadeia


Patrícia Santos Morato Cordeiro, 34, condenada por homicídio, se casou na cadeia
Patrícia Santos Morato Cordeiro, 34, condenada por homicídio, se casou na cadeia

Uma detenta se casou com o companheiro, com quem mantinha um relacionamento de sete anos antes de ser presa, dentro de uma unidade prisional de Vespasiano, município da região metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo a Suapi (Subsecretaria de Administração Prisional), a cerimônia ocorreu na brinquedoteca dentro do CRGPL (Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade), nesta terça-feira (11).

Colegas de Patrícia Santos Morato Cordeiro, 34, também puderam acompanhar o evento.

De acordo com o órgão, a celebração só é permitida em casos de união estável comprovada e o casal precisa obter a certidão de casamento no civil. Segundo a Suapi, o evento foi feito por meio de uma parceria entre o órgão e uma entidade evangélica.

Os enfeites, o bolo e os doces do casamento, além da maquiagem da noiva, foram doados ao casal. A subsecretaria informou que essa é a segunda vez que um evento do tipo ocorre no local. O primeiro foi feito em 2011.

Condenação
A filha da detenta, hoje com 11 anos, também participou do casamento da mãe. Quando Patrícia foi condenada, pelo crime de homicídio, ela estava grávida de quatro meses. A menina nasceu dentro da unidade prisional.

O noivo afirmou que tudo já está preparado para ele e a mulher retomarem a vida, após a detenta ganhar a liberdade, prevista para janeiro do ano que vem.

"Estou realizando meu sonho onde eu menos imaginei. Minha família me virou as costas, mas o Israel [companheiro dela] nunca me abandonou, esteve sempre do meu lado me apoiando. Ele é um pai maravilhoso e sempre me provou o seu amor. Não tinha como eu estar mais feliz", afirmou a mulher, por meio da assessoria da Suapi.

A subsecretaria informou que mantém parceria com diversas instituições religiosas em boa parte das unidades prisionais em Minas Gerais.

Até o momento, além dos dois casamentos feitos na unidade prisional especial para gestantes, outro casamento foi celebrado em um município do interior do Estado