"Tragédia", classifica o governador do Acre, Tião Viana (PT), a respeito das enchentes do rio homônimo que têm devastado o estado do norte. "É como se um tsunami tivesse passado aqui", compara. Viana usou o termo "tsunami" três vezes durante a entrevista exclusiva à Jovem Pan nesta segunda-feira (02). "A água vem como uma grande onda de água alta". Em outra comparação catastrófica, ele disse também que o pior está por vir. "O pior é o pós-cheia, quando parece uma cena de uma guerra mundial que se abate sobre a cidade."

O Rio Acre chegou a estar 17,35 metros acima do nível normal, na "cheia mais alta dos últimos 130 anos". Cinco municípios estão entre os mais afetados, entre os quais Brasiléia, Xapuri e a capital Rio Branco, onde um morador morreu após a fiação elétrica cair sobre a água.

Viana decretou estado de "calamidade pública" e relata prejuízo humano e material, com animais detidos e grande perda agropecuária de comunidades ribeirinhas. As aulas da rede estadual de ensino foram canceladas, bem como paralisadas as universidades federais, particulares e escolas técnicas. Foi imposto também ponto facultativo de dois dias.

Possíveis soluções

O governador acriano vê essa inundação como "atípica em relação à série histórica", mas como uma tendência para os próximos anos. Antes, a maior cheia registrada da série histórica era de 16 metros acima do nível, em 2012. Agora, porém, "há um movimento climático de cheia dos rios", disse, citando que a tendência é que o nível do rio atinja "18,50 metros em poucos meses ou anos, o que tornaria inviável a vida às margens".

Por isso, a única "solução estruturante" seria retirar as famílias que moram em locais de risco. "A única saída é criar um novo ambiente urbano", afirmou, contando 10 mil casas que teria feito em sua primeira gestão à frente do estado e prometendo outras 1,2 mil. Ele diz também que o Governo do Estado, junto com o Governo Federal, começou um programa especial dentro do Minha Casa Minha Vida para retirar pessoas em áreas de risco.

Apesar das cheias, a água ainda não impede o abastecimento das cidades do Acre, mas Viana teme que isso venha a acontecer. O rio precisaria subir ainda mais um metro para atingir a rodovia. "Tivemos muitas chuvas nesses dias (no Peru e na Bolívia, por onde o Rio Acre também passa) e a água vai subir no lado brasileiro", afirma.

Ouça a entrevista completa no áudio acima.