domingo, maio 24, 2015

Dilma sobre impeachment: "A mim não atemorizam"

Presidente deu entrevista a jornal mexicano e disse que discussão tem viés de arma política

Em entrevista ao jornal mexicano La Jornada, neste domingo (24), a presidente Dilma Rousseff disse que está tranquila quanto ao movimento liderado pelo PSDB que prega impeachment contra ela. Ela afirmou que "essa discussão tem viés de uma arma política" e reafirmou que não tem o que temer.
"Sem base real, porque o impeachment está previsto na Constituição, não é? Ele é um elemento da Constituição, está lá escrito. Agora, o problema do impeachment é sem base real, e não é um processo, e não é algo, vamos dizer assim, institucionalizado, tá? Eu acho que tem um caráter muito mais de luta política, você entende? Ou seja, é muito mais esgrimido como uma arma política, não é? Uma espécie de espada política, mistura de espada e de dama que querem impor ao Brasil. Agora, a mim não atemorizam com isso. Eu não tenho temor disso, eu respondo pelos meus atos. E eu tenho clareza dos meus atos", enfatizou.
Dilma comentou temas da política brasileira, como o esquema de corrupção de empreiteiras em contratos com a Petrobras, e assuntos internacionais, como o relacionamento entre Brasil e México, onde ela tem agenda vasta nesta semana.
Ao destacar a relevância da Petrobras, "tão importante para o Brasil como a Seleção", a presidente falou da Operação Lava Jato e reconheceu envolvimento de funcionários da empresa no esquema de corrupção.
"A Petrobras tem 90 mil funcionários, quatro funcionários foram e estão sendo acusados de corrupção. Ninguém pode falar antes de ser condenado, mas todos os indícios são no sentido de que são responsáveis pelo processo de corrupção". 
Os quatro acusados a quem ela se refere são os ex-­diretores Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque, e o ex-­gerente Pedro Barusco.
Em âmbito internacional, Dilma defendeu o financiamento do BNDES na construção do Porto de Mariel, em Cuba, e ponderou haver "certo exagero" na análise de que há um quadro de instabilidade em governos da América do Sul.
"Eu não acredito que a democracia engendre situações de paz dos cemitérios. A democracia engendra manifestações de rua, reivindicações, expressão de descontentamento. E nós, na América Latina, temos de cuidar muito, porque a raiz golpista sempre perpassa a cultura política dos países. Não dominantemente mais. Não, eu não acredito nisso".
Dilma foi questionada ainda sobre a política na América Latina, a recente aproximação entre Estados Unidos e Cuba e as denúncias de espionagem da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) contra o governo brasileiro. Para a presidente, esse tema "está concluído".
"O presidente Obama (...) abriu um processo de discussão em que eles tiraram várias resoluções. Entre essas resoluções, eles tiraram uma resolução de que não tem cabimento espionar países amigos, não é? (...) No marco do que eles fizeram, eles nos responderam".

sexta-feira, maio 22, 2015


Galáxia descoberta emite luz equivalente a 300 trilhões de sóis

Galáxia foi formada quando Universo era relativamente novo, há cerca de 13,8 bilhões de anos
Nasa

quarta-feira, maio 20, 2015

Em apenas dois dias 220 haitianos chegaram ao Acre, diz governo
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Da Agência Brasil
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  • Nacho Doce/Reuters
    20.mai.2015 - Imigrante haitiano organiza suas roupas na Igreja Católica Nossa Senhora da Paz, onde vive com outros conterrâneos, no bairro do Glicério, em São Paulo
    20.mai.2015 - Imigrante haitiano organiza suas roupas na Igreja Católica Nossa Senhora da Paz, onde vive com outros conterrâneos, no bairro do Glicério, em São Paulo
O porta-voz do governo do Acre, Leonildo Rosas, designado para falar sobre o fluxo migratório de haitianos no Brasil, apontou que somente "de ontem [terça-feira, 19] para hoje [quarta-feira, 20], chegaram mais 220 imigrantes no nosso abrigo, a maioria de haitianos".
Ele citou o dado para explicar que a suspensão do deslocamento dos estrangeiros para São Paulo vai fazer com o problema continue concentrado no estado acriano. "Houve entendimento com governo de São Paulo e o Ministério da Justiça para que a suspensão ocorra neste momento, embora saibamos que nós, aqui, vamos continuar sofrendo", declarou.
Rosas destacou que o Acre trabalha com o governo federal em uma transição desde abril, para que a responsabilidade sobre o acolhimento dos imigrantes deixe de ser estadual.
"Todo dia chega gente, e a nossa capacidade de pessoal, financeira e de material se exauriu. Nos últimos quatro anos, o governo do Acre já gastou, de recurso próprio, mais R$ 10 milhões para abrigar haitianos e irmãos de outros países", declarou.
Segundo o porta-voz, este esgotamento ocorre mesmo com o recebimento de recursos federais. Desde o final de 2010, o estado acolheu quase 40 mil estrangeiros, informou.
Na sua avaliação, o aumento do fluxo para São Paulo se deve ao fato de que os haitianos estavam represados no Acre, aqueles que não tinham condições de custear a própria passagem para outros estados.
"Só em maio, cerca de 500 imigrantes foram para outros estados por conta própria. Segundo nossa ficha de identificação, a maioria deles foi para São Paulo. Essas pessoas têm condição de comprar passagens e ir para os seus destinos sem procurar os abrigos públicos. Esse fluxo migratório nunca parou para essas pessoas", explicou.
Esse traslado gratuito, do Acre para outros estados, foi interrompido por um período por falta de recursos. "A empresa que fornecia o transporte parou de fazer, porque não tínhamos o recurso do governo federal", justificou.
Ele explicou que os haitianos são livres para escolher o estado de destino, pois a maioria não deseja ficar no Acre. Dados das fichas de identificação feitas no abrigo acriano revelam que 95% optam por São Paulo. Enquanto o deslocamento estiver suspenso para a capital paulista, será possível, no entanto, viajar até outro estado, segundo informou. "Eles escolhem para onde querem ir e o governo procura dar encaminhamento a esta demanda", declarou.
Sobre o fato da prefeitura de São Paulo não ter sido avisada sobre a chegada de grande número de haitianos, Rosas nega qualquer conflito ou cisão, seja com o governo federal ou com o governo da capital paulista.
"Prefiro olhar para frente. A partir desta conversa da equipe do [prefeito Fernando] Haddad, nosso governo e do governo federal, se houve algum ruído na comunicação, que seja reparado, para que a prefeitura não diga novamente que foi pega de surpresa", apontou. Ele informou que, caso algum ônibus siga para outros estados, os governos serão comunicados via articulação com o Ministério da Justiça.
Segundo Rosas, o governador do Acre, Tião Viana, terá reunião amanhã (21), na Casa Civil da Presidência, para tratar do assunto. Para o porta-voz uma solução definitiva para a questão seria organizar uma estrutura do governo brasileiro em Porto Príncipe para organizar documentação e orientar os haitianos na vinda ao Brasil.
"Isso vai dar mais segurança para os imigrantes, vai evitar comércio ilegal de coiotes e vai solucionar definitivamente um problema que vem sendo constante e vem sendo pauta no nosso país há cinco anos", sugeriu.

domingo, maio 17, 2015

A triste geração que virou escrava da própria carreira

RUTH MANUS
29 Abril 2015 | 11:11

E a juventude vai escoando entre os dedos.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.
Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.
Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.
Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.
Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.
Frequentou as melhores escolas.
Entrou nas melhores faculdades.
Passou no processo seletivo dos melhores estágios.
Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.
E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.
Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.
Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.
O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.
O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.
Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.
Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.
Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.
Mas para a vida, costumava ser não:
Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.
Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.
Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.
Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.
Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.
Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
Só não tinha controle do próprio tempo.
Só não via que os dias estavam passando.
Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.

sábado, maio 16, 2015

PAISAGEM ACRIANA










           Doutor é quem fez Doutorado


No momento em que nós do Ministério Público da União nos preparamos para atuar contra diversas instituições de ensino superior por conta do número mínimo de mestres e doutores, eis que surge (das cinzas) a velha arenga de que o formado em Direito é Doutor.
A história, que, como boa mentira, muda a todo instante seus elementos, volta à moda. Agora não como resultado de ato de Dona Maria, a Pia, mas como consequência do decreto de D. Pedro I.
Fui advogado durante muitos anos antes de ingressar no Ministério Público. Há quase vinte anos sou Professor de Direito. E desde sempre vejo “docentes” e “profissionais” venderem essa balela para os pobres coitados dos alunos.
Quando coordenador de Curso tive o desprazer de chamar a atenção de (in) docentes que mentiam aos alunos dessa maneira. Eu lhes disse, inclusive, que, em vez de espalharem mentiras ouvidas de outros, melhor seria ensinarem seus alunos a escreverem, mas que essa minha esperança não se concretizaria porque nem mesmo eles sabiam escrever.
Pois bem!
Naquela época, a história que se contava era a seguinte: Dona Maria, a Pia, havia “baixado um alvará” pelo qual os advogados portugueses teriam de ser tratados como doutores nas Cortes Brasileiras. Então, por uma “lógica” das mais obtusas, todos os bacharéis do Brasil, magicamente, passaram a ser Doutores. Não é necessária muita inteligência para perceber os erros desse raciocínio. Mas como muita gente pode pensar como um ex-aluno meu, melhor desenvolver o pensamento (dizia meu jovem aluno: “o senhor é Advogado; pra quê fazer Doutorado de novo, professor?”).
1) Desde já saibamos que Dona Maria, de Pia nada tinha. Era Louca mesmo! E assim era chamada pelo Povo: Dona Maria, a Louca!
2) Em seguida, tenhamos claro que o tão falado alvará jamais existiu. Em 2000, o Senado Federal presenteou-me com mídias digitais contendo a coleção completa dos atos normativos desde a Colônia (mais de quinhentos anos de história normativa). Não se encontra nada sobre advogados, bacharéis, dona Maria, etc. Para quem quiser, a consulta hoje pode ser feita pela Internet.
3) Mas digamos que o tal alvará existisse e que dona Maria não fosse tão louca assim e que o povo fosse simplesmente maledicente. Prestem atenção no que era divulgado: os advogados portugueses deveriam ser tratados como doutores perante as Cortes Brasileiras. Advogados e não quaisquer bacharéis. Portugueses e não quaisquer nacionais. Nas Cortes Brasileiras e só! Se você, portanto, fosse um advogado português em Portugal não seria tratado assim. Se fosse um bacharel (advogado não inscrito no setor competente), ou fosse um juiz ou membro do Ministério Público você não poderia ser tratado assim. E não seria mesmo. Pois os membros da Magistratura e do Ministério Público tinham e têm o tratamento de Excelência (o que muita gente não consegue aprender de jeito nenhum). Os delegados e advogados públicos e privados têm o tratamento de Senhoria. E bacharel, por seu turno, é bacharel; e ponto final!
4) Continuemos. Leiam a Constituição de 1824 e verão que não há “alvará” como ato normativo. E ainda que houvesse, não teria sentido que alguém, com suas capacidades mentais reduzidas (a Pia Senhora), pudesse editar ato jurídico válido. Para piorar: ainda que existisse, com os limites postos ou não, com o advento da República cairiam todos os modos de tratamento em desacordo com o princípio republicano da vedação do privilégio de casta. Na República vale o mérito. E assim ocorreu com muitos tratamentos de natureza nobiliárquica sem qualquer valor a não ser o valor pessoal (como o brasão de nobreza de minha família italiana que guardo por mero capricho porque nada vale além de um cafezinho e isto se somarmos mais dois reais).
A coisa foi tão longe à época que fiz questão de provocar meus adversários insistentemente até que a Ordem dos Advogados do Brasil se pronunciou diversas vezes sobre o tema e encerrou o assunto.
Agora retorna a historieta com ares de renovação, mas com as velhas mentiras de sempre.
Agora o ato é um “decreto”. E o “culpado” é Dom Pedro I (IV em Portugal).
Mas o enredo é idêntico. E as palavras se aplicam a ele com perfeição.
Vamos enterrar tudo isso com um só golpe?!
A Lei de 11 de agosto de 1827, responsável pela criação dos cursos jurídicos no Brasil, em seu nono artigo diz com todas as letras: “Os que frequentarem os cinco anos de qualquer dos Cursos, com aprovação, conseguirão o grau de Bachareis formados. Haverá tambem o grau de Doutor, que será conferido àqueles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos que devem formar-se, e só os que o obtiverem poderão ser escolhidos para Lentes”.
Traduzindo o óbvio. A) Conclusão do curso de cinco anos: Bacharel. B) Cumprimento dos requisitos especificados nos Estatutos: Doutor. C) Obtenção do título de Doutor: candidatura a Lente (hoje Livre-Docente, pré-requisito para ser Professor Titular). Entendamos de vez: os Estatutos são das respectivas Faculdades de Direito existentes naqueles tempos (São Paulo, Olinda e Recife). A Ordem dos Advogados do Brasil só veio a existir com seus Estatutos (que não são acadêmicos) nos anos trinta.
Senhores.
Doutor é apenas quem faz Doutorado. E isso vale também para médicos, dentistas, etc, etc.
A tradição faz com que nos chamemos de Doutores. Mas isso não torna Doutor nenhum médico, dentista, veterinário e, mui especialmente, advogados.
Falo com sossego.
Afinal, após o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em Direito Internacional e Integração Econômica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Aliás, disse eu: tese de Doutorado! Esse nome não se aplica aos trabalhos de graduação, de especialização e de mestrado. E nenhuma peça judicial pode ser chamada de tese, com decência e honestidade.
Escrevi mais de trezentos artigos, pareceres (não simples cotas), ensaios e livros. Uma verificação no sítio eletrônico do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) pode compravar o que digo. Tudo devidamente publicado no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na Itália, na França, Suécia, México. Não chamo nenhum destes trabalhos de tese, a não ser minha sofrida tese de Doutorado.
Após anos como Advogado, eleito para o Instituto dos Advogados Brasileiros (poucos são), tendo ocupado comissões como a de Reforma do Poder Judiciário e de Direito Comunitário e após presidir a Associação Americana de Juristas, resolvi ingressar no Ministério Público da União para atuar especialmente junto à proteção dos Direitos Fundamentais dos Trabalhadores públicos e privados e na defesa dos interesses de toda a Sociedade. E assim o fiz: passei em quarto lugar nacional, terceiro lugar para a região Sul/Sudeste e em primeiro lugar no Estado de São Paulo. Após rápida passagem por Campinas, insisti com o Procurador-Geral em Brasília e fiz questão de vir para Mogi das Cruzes.
Em nossa Procuradoria, Doutor é só quem tem título acadêmico. Lá está estampado na parede para todos verem.
E não teve ninguém que reclamasse; porque, aliás, como disse linhas acima, foi a própria Ordem dos Advogados do Brasil quem assim determinou, conforme as decisões seguintes do Tribunal de Ética e Disciplina: Processos: E-3.652/2008; E-3.221/2005; E-2.573/02; E-2067/99; E-1.815/98.
Em resumo, dizem as decisões acima: não pode e não deve exigir o tratamento de Doutor ou apresentar-se como tal aquele que não possua titulação acadêmica para tanto.
Como eu costumo matar a cobra e matar bem matada, segue endereço oficial na Internet para consulta sobre a Lei Imperial.
Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus. Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito é mais séria a recomendação.
Afinal, cumprir a lei e concretizar o Direito é nossa função. Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, aí assim, exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas só então.
____________________________
Texto escrito por Marco Antônio Ribeiro Tura, jurista. Membro vitalício do Ministério Público da União. Doutor em Direito Internacional e Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Direito Público e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Visitante da Universidade de São Paulo. Ex-presidente da Associação Americana de Juristas, ex-titular do Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-titular da Comissão de Reforma do Poder Judiciário da Ordem dos Advogados do Brasil.

                    Jornal A Tribuna



Filiação
É tida como quase certa a ida do ex-deputado Edvaldo Souza para o PRB, partido ligado à igreja Universal e à Rede Record, onde aliás, apresenta programa de grande sucesso no Estado. Edvaldo, dizem, é muito bem vindo ao partido. Já não se pode dizer o mesmo de outros que tentam aderir ao partido, que têm bala na agulha para as eleições do ano que vem.

domingo, maio 10, 2015

Sociedade Brasileira de Reumatologia, realiza a partir de hoje - Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus - a campanha "Lúpus - Uma Questão de Foco".


"Vivo um dia de cada vez", diz funcionária pública com lúpus

Fabiana Marchezi
Do UOL, em Campinas (SP)
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  • Arquivo pessoal
    A funcionária pública de Campinas (SP) Abigail Fernandes da Cruz, 48, foi diagnosticada com lúpus há dois anos
    A funcionária pública de Campinas (SP) Abigail Fernandes da Cruz, 48, foi diagnosticada com lúpus há dois anos
A funcionária pública de Campinas (SP) Abigail Fernandes da Cruz, 48, foi diagnosticada com lúpus há dois anos. À época, ela teve de passar por diversos exames até ter o diagnóstico preciso da doença. Desde então, além de tratamento e acompanhamento, ela contou com sua fé para conviver com a doença e com as mudanças que o lúpus trouxe à sua vida . Leia o depoimento:
Fui diagnosticada com lúpus há dois anos. Desde então, levando em conta que a doença ainda não tem cura, me cuido e vivo um dia de cada vez. Em março de 2011, enquanto cursava duas faculdades -comércio exterior e pedagogia-, trabalhava, cuidava da minha mãe e tinha algumas atividades na igreja. Nessa época, comecei a sentir fortes pontadas no coração e no braço esquerdo, mesmo estando em repouso.
Fui ao cardiologista e ele pediu alguns exames, fez algumas perguntas sobre minha rotina e concluiu que eu estava com estresse agudo. Passou uma medicação e disse que eu precisava parar com alguma das minhas atividades ou não teria melhora. Ponderei e percebi que não poderia desistir de nenhuma atividade por diversos fatores.
De fato, o quadro começou a piorar. Comecei a ter perda de cabelo, canseira, formigamento e endurecimento da nuca, mãos quentes e resfriamento dos dedos. Em 2012 vieram dores fortes nas articulações ao ponto de o local ficar inchado. Minhas mãos estavam grandes e grossas e eu não tinha força nem para abrir uma garrafa de água. Fui ao ortopedista e ele disse que eu poderia estar com hérnia de disco no pescoço e fiquei de repouso absoluto por 10 dias alternando compressas frias e quentes, além de injeções e anti-inflamatórios.
No final daquele ano observei que minhas pernas, do joelho para baixo, apresentavam manchas vermelhas, iguais às de picadas de pernilongo, e foram aumentando e se aglutinando, formando placas indolores, mas com aspecto horrível. O médico disse que era vasculite (inflamação nos vasos sanguíneos, que já era consequência do lúpus). Uma tarde, após chegar do trabalho, tentei deitar e não consegui, pois estava com falta de ar e uma dor aguda no peito. Liguei chorando para uma amiga e disse que precisava ir ao pronto-socorro.
Fui internada em 19 de abril de 2013 com suspeita de Doença de Rosai-Dorfman, uma doença benigna da pele, decorrente da vasculite. No primeiro dia de internação foram realizados alguns exames laboratoriais e comecei a tomar corticoide e as dores começaram a desaparecer. Falaram que eu estava com nefrite, fibrose pulmonar e derrame pleural. Mais exames foram feitos -biópsia de pele, tomografia, ecocardiograma, radiografia, dentre outros-, pois havia um consenso entre os médicos de que era uma doença autoimune, mas eles precisavam eliminar alguns critérios para ter certeza do diagnóstico, uma vez que as doenças autoimunes são muito parecidas (pasmem, são cerca de 80 doenças autoimunes conhecidas).
Depois de cinco dias de exames e investigações, no dia 24 de abril, eles concluíram que eu tinha lúpus e me explicaram que é uma doença crônica e grave que se caracteriza pelo desequilíbrio do sistema imunológico acometendo mais as mulheres da idade de 10 a 40 anos. Após o diagnóstico, comecei a primeira de uma série de seis sessões de uma medicação quimioterápica, chamada de pulsoterapia. As quatro primeiras sessões foram muito tranquilas, mas as duas últimas absolutamente terríveis. Tive muita dor de cabeça, vômito, náusea, mal-estar geral e prostração. Ainda bem que tudo passa!
Depois de dez dias de internação, voltei para casa e continuei o tratamento – corticoide (80 mg/dia), imunossupressores, vitamina D e carbonato de cálcio, antimalárico, toneladas de filtro solar, óculos escuros (fotossensibilidade), muito repouso. Era engraçado, pois cada manhã que eu acordava era um acontecimento diferente: um dia tinha otite, inchaço nos dois olhos, gripe - foram oito em um ano -, cotovelo inchado, quedas, tropeções, confusão mental, perda de concentração, troca de "visão" - eu era hipermítrope e agora sou míope -, catarata por depósito de medicação na retina, adormecimento na sola dos pés.
As recomendações médicas são beba muita água, esqueça que um dia existiram os refrigerantes, evite alimentos gordurosos, processados, sal e açúcar em excesso e fuja do sol. Mas, como sempre tive uma alimentação "natureba", não foi difícil abrir mão de algumas coisas gostosas.
Em setembro de 2014, tive alta médica da nefrologia e as consultas ao reumatologista, antes trimestrais, passaram a ser semestrais. A dose de corticoide, que me deixou "desfigurada", foi diminuindo gradativamente.
Sempre fui uma pessoa otimista, alegre e resiliente e, mesmo sofrendo com dor e muito desconforto, antes de descobrir que era lúpica, não me desesperei nem fiquei deprimida. Simplesmente lancei aquela situação nova nas mãos do Deus, que me criou e que poderia me curar se Ele quisesse ou me daria condições de ter uma vida satisfatória.
Tem um versículo na Bíblia Sagrada que diz exatamente isso: "Lançando sobre Deus a nossa ansiedade, pois Ele tem cuidado de vós". Esse "lançar" me faz lembrar aquele esporte olímpico onde o atleta arremessa um disco o mais longe de si para conseguir as melhores marcas. Eu escrevi numa folha de papel a palavra LÚPUS e depois amassei a folha e, com toda força, joguei aquela bolinha longe de mim e fiquei tranquila!
Hoje, dois anos depois de tudo, me sinto muito bem! Se não fosse pelo cansaço, que não dá trégua, eu diria que não tenho absolutamente nada. Continuo a trabalhar e a fazer as coisas de que gosto, apenas diminuí o ritmo. Meus cabelos cresceram (sempre fui meio desencanada com aparência, mas ver meus cabelos "despregando" do couro cabeludo não foi muito confortável), comprei vários chapéus, desinchei (inicialmente eu tomava 80 mg de corticoide e agora não tomo mais) e, de vez em quando, vou até ao McDonald's!
Campanha
Com o objetivo de levar esclarecimento sobre a doença autoimune e sem cura que atinge 200 mil brasileiros, mas que ainda é muito pouco falada no Brasil, o laboratório GSK, com o apoio da Sociedade Brasileira de Reumatologia, realiza a partir de hoje - Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus - a campanha "Lúpus - Uma Questão de Foco".
O lúpus afeta principalmente mulheres (9 em cada 10 pacientes são do sexo feminino), e muitos pacientes vivem anos com a doença sem saber, tratando os sintomas de forma equivocada. Estima-se que 5 milhões de pessoas no mundo tenham a doença.

sexta-feira, maio 08, 2015

O papa e o estrume do diabo

Mauro Santayana
O Papa Francisco está sendo amplamente atacado na internet, por ter dito, em  cerimônia, em Roma, que “o dinheiro é o estrume do diabo” e que quando se torna um ídolo “ele comanda as escolhas do homem". Acima e abaixo da cintura, houve de tudo.
De adjetivos como comunista, “argentino”, hipócrita, demagogo e outros aqui impublicáveis, a sugestões de que ele se mude para uma favela, e - a campeã de todas - que distribua para os pobres o dinheiro do Vaticano.
É cedo, historicamente, para que se conheça bem este novo papa, mas, pelo que se tem visto até agora, não se pode duvidar  de que daria o dinheiro do Vaticano aos pobres, tivesse poder para isso, não fosse a Igreja que herdou dominada por nababos conservadores colocados lá pelos dois pontífices anteriores, e ele estivesse certo de que essa decisão fosse resolver, definitivamente, a questão da desigualdade e da pobreza em nosso mundo.
Inteligente, o Papa sabe que a raiz da  miséria e da injustiça não está na falta de dinheiro mas na falta de vergonha,  de certa minoria que possui muito, muitíssimo,  em um planeta em que centenas de milhões de pessoas ainda vivem com menos de dois dólares por dia.
E que essa situação se deve, em grande parte, justamente à idolatria cada vez maior pelo dinheiro, o “estrume” do Bezerro de Ouro que estende a sombra de seus cornos sobre a planície nua, os precipícios e falésias do destino humano.             
Em nossa época, deixamos de honrar pai e mãe, de praticar a solidariedade com os mais pobres, com os doentes, com os discriminados e  os excluídos, para nos entregar ao hedonismo.
Os pais transmitem aos filhos, como primeira lição e maior objetivo na existência, a necessidade não de sentir, ou de compreender o mundo e a trajetória mágica da vida - presente maior que recebemos  de Deus quando nascemos - mas, sim, a de ganhar e acumular dinheiro a qualquer preço.
Escolhe-se a escola do filho, não pela abordagem filosófica, humanística, às vezes nem mesmo técnica ou científica, do tipo de ensino, mas pelo objetivo de entrar em uma universidade para fazer um curso que dê grana, com o objetivo de fazer um concurso que dêgrana, estabelecendo, no processo, uma “rede” de amigos que têm, ou provavelmente terãograna.
Favorecendo, realimentando,  umacultura voltada  para o aprendizado e o compartilhamento de símbolos de status  fugazes e vazios, que vão do último tipo de smartphone ao nome do modelo do carro do papai e da roupa e do tênis que se está usando.
O que determina a profissão, o que se quer fazer na vida, é o dinheiro.
Escolhe-se a carreira pública, ou a política, majoritariamente, pelo poder e pelas benesses, mas, principalmente, pelo dinheiro.
Até mesmo na periferia, assalta-se, mata-se, se morre ou se vive - como rezam as letras dosfunks de batalha ou de ostentação - pelo dinheiro.
Para os mais radicais, não basta colocar-se ao lado do capital, apenas como um praticante obtuso e entusiástico dessa insensata e permanente “vida loca”.
É necessário reverenciar aberta e sarcasticamente o egoísmo, antes da solidariedade, a cobiça, antes da  construção do espírito, o prazer, antes da sabedoria.
É preciso defender o dindin - surgido para facilitar a simples troca de mercadorias - como símbolo e bandeira de uma ideologia clara, que se baseia na apologia da competição individual desenfreada e grosseira, e de um “vale tudo” desprovido pudor e de caráter, como forma de se alcançar riqueza e glória, disfarçado de  eufemismos que possam ir além do capitalismo, como é o caso, do que está mais na moda agora, o da “meritocracia”.
Segundo a crença nascida da deturpação  do termo, que atrai, como um imã, cada vez mais brasileiros, alguns merecem, por sua “competência”, viver, se divertir, ganhar dinheiro. Enquanto outros não deveriam sequer ter nascido - já que estão aqui apenas para atrapalhar o andamento da vida e do trânsito. Melhor, claro,  se não existissem - ou que o fizessem apenas enquanto ainda se precise - ao custo odioso de quase 30 dólares por dia - de  uma faxineira ou de um ajudante de pedreiro. 
O capitalismo está se transformando em ideologia. Só falta que alguém coloque o cifrão no lugar da suástica e  comece a usá-lo em estandartes, colarinhos e braçadeiras, e que em nome dele se exterminem os mais pobres, ou ao menos os mais desnecessários e incômodos, queimando-os, como polutos cordeiros, em fornos de novos campos de extermínio.
Disputa-se e proclama-se o direito de ter mais, muito mais que o outro, de receber de herança  mais que o outro, de legar mais que o outro, de viver mais que o outro, de gastar mais que o outro, e, sobretudo, de ostentar, descaradamente, mais que o outro. Mesmo que, para isso, se tenha de aprender dos pais e ensinar aos filhos, a se acostumar a pisar no outro, da forma mais impiedosa e covarde. Principalmente, quando o outro for mais “fraco”, “diverso” ou pensar de forma diferente de uma matilha malévola e ignara, ressentida antes e depois do sucesso e da fortuna, que se dedica à prática de uma espécie de bullying que durará a vida inteira, até que a sombra do fim se aproxime, para a definitiva pesagem do coração de cada um, como nos lembram os antigos papiros, à sombra de Maat e de Osíris
A reação conservadora à ascensão de Francisco, depois do aparelhamento, durante os dois papados anteriores, da Igreja Apostólica e Romana por clérigos  fascistas, e da renúncia de um papa  envolvido indiretamente com vários escândalos, que comandou com crueldade e mão de ferro a “caça às bruxas” ocorrida dentro da Igreja nesse período, se dá também nos púlpitos brasileiros.
Não podendo atacar frontalmente um pontífice que diz que o mundo não é feito,  exclusivamente, para os ricos, religiosos que progrediram na  carreira nos últimos 20 anos, e que se esqueceram de Jesus no Templo e do Cristo dos mendigos, dos leprosos, dos aleijados, dos injustiçados, proferem seu ódio fazendo política nas missas - o que sempre condenaram nos padres adeptos da Teologia da Libertação - ressuscitando o velho e baboso discurso  de triste memória,  que ajudou a sustentar o golpismo em 1964.
O ideal dos novos sacerdotes e fiéis do Bezerro de Ouro é o de um futuro sem pobres, não para que diminua a desigualdade e aumente a dignidade humana, mas, sim, a contestação aos seus privilégios.
Em 1996, em um livro profético - “L´Horreur Economique”, “O Horror Econômico” - a jornalista, escritora e ensaísta francesa, Viviane Forrester, morta em 2013, já alertava, na apresentação da obra, para o surgimento desse mundo, dizendo que estamos no limiar de uma nova forma de civilização, na qual apenas uma pequena parte da população terrestre encontrará  função e emprego.
A extinção do trabalho parece um simples eclipse - afirmou então Forrester - quando, na verdade, pela primeira vez na História, o conjunto formado por todos os seres humanos é cada vez menos necessário para o pequeno número de pessoas que manipula a economia e detêm o poder político...
dando a entender que diante do fato de não ser mais “explorável”, a “massa” e quem a compõe só pode temer, e perguntando-se se depois da exploração, virá a exclusão, e, se, depois da exclusão, só restará a eliminação dos mais pobres, no futuro.
O culto ao Bezerro de Ouro, ao dinheiro e ao hedonismo está nos conduzindo para um mundo em que a tecnologia tornará o mais fraco teoricamente desnecessário.
A defesa dessa tese, assim como de outras que são importantes para a implementação paulatina desse  processo, será alcançada por meio da implantação de uma espécie de pensamento único, estabelecido pelo consumo de um mesmo conteúdo, produzido e distribuído, majoritariamente, pela mesma matriz capitalista e ocidental, como já ocorre hoje com os filmes, séries e programas e os mesmos canais norte-americanos de tv a cabo, em que apenas o idioma varia, que podem ser vistos com um simples apertar de botão do controle remoto, nos mesmos quartos de hotel - independente do país em que se estiver no momento - em qualquer cidade do mundo.      
As notícias virão também das mesmas matrizes, em canais como a CNN, a Fox  e a Bloomberg, e das mesmas agências de notícias, e serão distribuídas pelos mesmos grandes grupos de mídia, controlados por um reduzido grupo de famílias, em todo o mundo, forjando o tipo de unanimidade estúpida que já está se tornando endêmica em países nos quais - a exemplo do nosso - impera o analfabetismo político.
E o controle da origem da informação, da sua transmissão, e, sobretudo dos cidadãos, continuará a ser feito, cada vez mais, pelo mesmo MINIVER, o Ministério da Verdade, de que nos falou George Orwell, em seu livro “1984”, estabelecido primariamente pelos Estados Unidos, por meio da internet, a gigantesca rede que já alcança quase a metade das residências do planeta, e de seus mecanismos de monitoração permanente, como  a NSA e outras agências de espionagem, seus backbones, satélites, e as grandes empresas  norte-americanas da área, e a computação em nuvem, identificando rapidamente qualquer um que possa ameaçar a sobrevivência do Sistema.  
O mundo do Bezerro de Ouro será, então - como sonham ardentemente alguns - um mundo perfeito, onde os pobres, os contestadores, os utópicos - sempre que surgirem -   serão caçados a pauladas e tratados a chicotadas, e, finalmente, perecerão, contemplando o céu,   nos lugares mais altos, para que todos vejam, e sirva de exemplo, como aconteceu com um certo nazareno chamado Jesus Cristo, há vinte séculos.