quarta-feira, março 30, 2011

Jornalista não entra!



Jornalistas que foram fazer a cobertura da ocupação irregular no bairro Ilson Ribeiro tiveram um direito elementar do cidadão brasileiro vilipendiado. O direito de ir e vir.

A liberdade de informar foi parar na lata do lixo. Parecia cenas de territórios árabes ocupados por tropas inimigas em tempos de guerra.

Perímetro delimitado para os atores, tenda, policia perfilada pronta para agir, armas carregadas com cartuchos não letais e mais de 300 homens prontos para entrar em ação.

A imprensa ficou de fora. Nada de gravação, registros, imagens da parte interna do conjunto ou bairro formado por casinhas ocupadas por pobres cuja principal arma que dispõem é o direito de reivindicar, de gritar de se manifestar, de serem vistos como seres humanos.

O desenrolar deste espetáculo dantesco era previsível. Populares com hematomas, arranhões, mulheres chorando e o comando policial argumentando que se usou a chamada força moderada. Não me canso de elogiar o trabalho das policias. Estatisticamente com muitos acertos. Ações dignas de elogio.

Para finalizar: A nossa Constituição Federal que mais parece uma colcha de retalhos, no Capítulo II, Dos Direitos Sociais, prevê que são direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, A MORADIA, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, A ASSISTÊNCIA AOS DESAMPARADOS, na forma desta Constituição. Portanto, só resta cumprir o que estabelece a carta magna.


Um espetáculo deprimente







Depois de um longo período de hibernação volto a escrever no blog. Confesso que gostaria de escrever sobre coisas amenas. Sobre paz, amor, felicidade, família,enfim, coisas que fazem bem ao nosso coração.

Porém, as imagens e os artigos que toda a sociedade vem acompanhando ao longo de dois ou três dias não podem cair no esquecimento.

Analise a seguinte cena: Casinhas abandonadas há quase um ano, muito mato, fechadas e apresentando em alguns casos sinais de deterioração. Num outro enquadramento, pessoas pobres com extrema necessidade de sobrevivência, desempregadas em sua maioria, vivendo de aluguel e com muitos filhos para criar.

O desfecho não poderia ser outro. Casas ocupadas, protesto, choro, mandado judicial e policia. Tal fato poderia ter sido evitado se a comunidade tivesse sido ouvida e explicações convincentes tivessem sido prestadas.

O povo que vive na periferia sofre todas as mazelas atinentes a uma sociedade excludente, capitalista e que as vezes não enxerga um palmo diante do nariz.

O problema está na frente de todos nós. Alguns fecham os olhos defendendo teses sociologicamente incorretas. O povo deve ser tratado como gente. Gente que vota, que paga impostos, que sofre as agruras da vida e que ajuda a movimentar a roda gigante do capitalismo.

O resto é conversa fiada.

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