sábado, abril 11, 2015





Sérgio Moro ataca permanência de corrupto na política11.04.2015 | 16:59 OPERAÇÃO LAVA JATO

Juiz da Lava Jato diz ser surpreendente longevidade de condenados na vida pública e lamenta necessidade de intervenção do Judiciário para poupar a sociedade dos riscos

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Em despacho favorável à prisão do ex-deputado André Vargas (sem partido-PR) nesta sexta-feira, 10, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato, afirmou que é “inaceitável que agentes políticos em relação aos quais existam graves indícios de envolvimento em corrupção e lavagem de dinheiro permaneçam na vida pública sem grandes consequências”.

O juiz afirma que é necessária “infelizmente a intervenção do Poder Judiciário para poupar a sociedade do risco oferecido pela perpetuação na vida pública do agente político criminoso”.

Moro conduz uma investigação histórica que aponta para o envolvimento de pelo menos 52 políticos – entre deputados, senadores e governadores e ex-parlamentares. É o maior contingente de agentes políticos sob suspeita de crimes de corrupção e lavagem.

Juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato. Foto: Gil Ferreira/Agência Brasil

Cassado em dezembro de 2014 e fora do PT desde então, Vargas é investigado pela força-tarefa da Lava Jato em quatro frentes que englobam o Ministério da Saúde, a Caixa Econômica Federal e o recebimento indireto de propina do cartel da Petrobrás. Pode responder em juízo como réu por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

O caso de Vargas, um dos três primeiros políticos presos pela Lava Jato, dentro da Operação A Origem, é para Moro exemplo de como o uso do mandato parlamentar para enriquecimento ilícito deve ser visto como uma traição à confiança da sociedade brasileira.

“A gravidade concreta da conduta de André Vargas é ainda mais especial, pois as provas apontam que ele traiu seu mandato parlamentar e a confiança que a sociedade brasileira nele depositou, ao concordar em utilizá-lo para enriquecer ilicitamente”, aponta o magistrado.

“Chegou ele a exercer o cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados e ainda assim, às ocultas, persistiu utilizando seu poder em benefício próprio e em detrimento dos seus eleitores.”

Atacado pelos maiores escritórios de advocacia criminal do País, muitas vezes em argumentos consonantes sobre a falta de quesitos legais para determinações das prisões cautelares, foram raras ocasiões em que os recursos contra suas decisões foram acolhidos por côrtes superiores, desde o início da Lava Jato, em março de 2014.


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