terça-feira, setembro 08, 2015

A Bunda da Paolla – Conto de Wellington Soares



bunda-da-paolla
Lá vai sorrindo a bunda.
- Que alegria é essa, homem?
Vai feliz na carícia de ser e balançar…
- Há tempo não o vejo assim.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
- Desde quando virou poeta?
- São de Drummond esses versos…
- Algum motivo especial para recitar poesia?
- Uma bunda belíssima que apareceu ontem na TV.
- Posso saber, por acaso, de quem é?
- Da Paolla Oliveira, a irresistível Danny Bond.
- Danny o quê?
- Uma garota de programa de parar o trânsito.
- Agora sei o porquê, seu cafajeste, de você dormir tão tarde.
- O bonito é feito para ser apreciado.
- Debochado, ainda por cima.
- Garanto que a culpa não é minha.
- Vai dizer que é da Globo, então?
- A minissérie foi produzida por ela, somente assisto.
- Que ótimo exemplo de pai você se tornou.
- Se até Drummond, nosso poeta maior, celebra a bunda…
- Nunca pensei que se tornaria um maria-vai-com-as-outras.
A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio.
- Outra vez com as obscenidades do itabirano.
Anda por si na cadência mimosa…
- Não entendo essa tara de vocês por bunda.
No milagre de ser duas em uma, plenamente.
- Mulher não se resume a glúteos, criatura.
- Sei disso, mas fica bem mais atraente e sensual.
- Bunda é tudo a mesma coisa.
- Aí é que você se engana redondamente.
- Como assim?
- A da Paolla Oliveira é outra história.
- O que o bumbum dela tem de extraordinário?
- A delicadeza das partes na harmonia do todo.
- Ficou até inspirado pra falar difícil desse jeito.
- Aquela bunda linda na varanda do hotel foi de tirar o fôlego.
- Não entendi?
- Ainda mais de fio dental e salto alto.
- Como se atreve a dizer tudo isso na minha frente?
- O poeta, de fato, tem razão.
- Um pornógrafo igualzinho a você.
A bunda se diverte por conta própria.
- Perturbado, é como você ficou.
E ama.
- Bem mais do que eu imaginava.
Na cama agita-se.
- Enquanto dormia, você ficava vendo essas sacanagens.
Montanhas avolumam-se, descem.
- Tomara que nosso filho não esteja assistindo tal sem-vergonhice.
Ondas batendo numa praia infinita.
- Tem apenas 16 aninhos.
- Se duvidar, já sabe mais coisas que nós dois juntos.
- Um pervertido como o pai?
- Quando mais cedo iniciar, melhor pra ele.
- Quer saber de uma coisa?
- Desembucha.
- A partir de hoje você dorme na sala de estar.
- O quê?
- Durante um mês.
- Sozinho?
- Assim você fica à vontade com a Paolla Oliveira.

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